quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Boa literatura ao alcance de todos

Instalações da Sociedade de Leitura Hermann Faulhaber em 1965. Na ocasião, a visita do Cônsul da República Federal da Alemanha.

Talvez nunca tenha havido na nossa história um momento em que a leitura fosse tão incentivada como nos dias de hoje. Hora do conto, hora da leitura, sacola da leitura, visita de autores às escolas, feira do livro, bibliotecas públicas, internet, entre outras iniciativas, formam juntas uma gama de possibilidades que chama para o mundo das letras os leitores dos mais variados gêneros literários. Há livros para todos os gostos e não há quem possa usar uma suposta carência de material escrito como desculpa para a sua eventual omissão diante da literatura. É bem verdade que existe uma infindável lista de fatores que concorrem para desviar-nos dos livros, todos eles conduzindo ao grande vilão da atualidade: o tempo. Mais precisamente, a falta de tempo. Sendo assim, compete a cada um, dentro de suas prioridades, encontrar espaço para a leitura no seu dia a dia.
Num passado não muito distante, na primeira metade do século XX, também a escassez de livros - ou da variedade deles -, se constituía como fator limitante da leitura, principalmente nas regiões mais longínquas. Neste contexto, onde o incentivo à leitura ficava por conta de particulares, merecem destaque algumas atitudes como a do fundador da Colônia alemã em Panambi, Dr. Herrmann Meyer, que em 1903 doou cerca de 400 livros para o início de uma biblioteca, a qual ficou a cargo do Pastor Hermann Faulhaber e sua esposa Dona Maria. Era o início daquela que mais tarde se transformaria na Sociedade de Leitura Hermann Faulhaber, a qual persistiria como importante fonte de literatura ao longo do século XX.
Sem entrar nos pormenores da história da Sociedade de Leitura, tão bem conhecida por muitos, especialmente por aqueles que fizeram parte do quadro de sócios antes da sua extinção, em 1999, gostaria apenas de chamar a atenção para o precioso acervo que em 2000 foi doado a MAHP, onde ainda se encontra até hoje à disposição daqueles que apreciam a boa literatura. Em meio aos cerca de 8.000 títulos que pertenceram à antiga biblioteca, entre livros e revistas - boa parte deles em outras línguas, principalmente em alemão - acrescidos de outras obras que foram doadas ao MAHP, é possível encontrar raridades como a obra Senhora, de José de Alencar, em edição de 1896 (Obra que pertenceu ao Sr. Arno Philipp). Para não falar de uma série de livros de autores consagrados da literatura, como Monteiro Lobato, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Émile Zola, Alexandre Dumas, Honoré de Balzac, Thomas Mann, Goethe, Ernest Hemingway, Jack London, Camões, entre muitos outros.
Lauro Manzoni Bidinoto (Coordenador do MAHP) - Texto publicado na Revista Nossa, edição de agosto de 2008.
Atualmente, o acervo da extinta Sociedade de Leitura Hermann Faulhaber pertence ao MAHP, onde está à disposição dos leitores, acrescido de outras obras que foram doadas à instituição.

Nenhum comentário: