13ª Semana de
Museus
A 13ª edição da Semana
Nacional de Museus, programada para os dias 18 a 24 de maio de 2015, traz como
tema “Museus para uma sociedade
sustentável”. Através dele vem fomentar em toda a sociedade uma maior
conscientização da ação do homem sobre nosso planeta e reforçar a necessidade
urgente de alinhar nosso modelo econômico e social à perspectiva da
continuidade e inovação. Este tema foi escolhido pelo Conselho
Internacional de Museus (Icom), e o Museu e Arquivo Histórico Professor Hermann
Wegermann, optou em trabalhar “Meios de
comunicação e sustentabilidade”.
Durante
toda a semana o museu estará realizando atividades relacionadas a este tema,
entre elas, visitação guiada à exposição sobre os meios de comunicação de
Panambi, palestra sobre “Usos da água e sustentabilidade”, e dia 22 está
programado um encontro, às 14 horas, com alunos e representantes da comunidade
previamente convidados. O tema do encontro será os meios de
comunicação de diferentes épocas, socializando seu uso no dia a dia, relacionando
passado e presente.
Segundo a Pesquisa
Brasileira de Mídia 2015 (PBM 2015) os jornais são os veículos de comunicação mais
confiáveis e a televisão segue como o meio de comunicação predominante entre a
população. Porém, a internet vem conquistando rapidamente seu espaço. O brasileiro
hoje utiliza cinco horas do seu dia conectado à internet. Mais do que as diferenças regionais, são a escolaridade e a idade dos
entrevistados os fatores que impulsionam a frequência e a intensidade do uso da
internet no Brasil. Entre os usuários com ensino superior, 72% acessam a
internet todos os dias, com uma intensidade média diária de 5h41, de 2ª a
6ª-feira. Entre as pessoas com até a 4ª série, os números caem para 5% e 3h22.
65% dos jovens na faixa de 16 a 25 se conectam todos os dias, em média 5h51
durante a semana, contra 4% e 2h53 dos usuários com 65 anos ou mais.O uso
de redes sociais em computadores ou notebooks e o acesso à internet com o uso
de telefones celulares estão influenciando significativamente esses resultados.
Para
a fabricação desses aparelhos eletrônicos, tão populares na atualidade, são necessários vários recursos, como o plástico (derivado de petróleo
bruto) utilizado na carcaça, no teclado, nas dobradiças e nos acessórios, como
adaptadores, fones de ouvido e capinhas decorativas. Portanto, os plásticos
conhecidos como policarbonatos eacrilonitrilabutadieno-estireno, ou uma
combinação dos dois, são os componentes presentes na grande maioria dos
telefones celulares. Os visores são feitos de cristal líquido, conhecidos como
LCDs. A maioria dos celulares vem equipada a esse tipo de tela (as substâncias
cristalinas em telas de LCD podem conter pequenas quantidades de mercúrio, que
é um elemento tóxico). As baterias mais comuns são de íons de lítio, Ni-MH e
Ni-Cd, que contêm elementos como níquel, lítio, cobalto, zinco, cádmio e cobre.
Além de muitos outros materiais, a água é indispensável durante a fabricação.
Quando trocamos de telefone, geralmente por um modelo mais novo, não nos
damos conta de que a escolha de um aparelho de uma ou outra marca, poça estar
relacionado ao grau de estrago no meio ambiente ou as condições de vida de
trabalhadores.
De acordo com a
Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, mais de 1,2 bilhões de
celulares foram utilizados em 2010. Este é apenas um exemplo de consumismo.
Muitos recursos naturais são explorados e poucos são reaproveitados.
Como nosso tema da 13ª Semana de Museus é a comunicação, escolhemos o
celular para rastrear de certa forma o processo que ocorre desde a sua produção[1] até seu transporte nas
gôndolas, levando em consideração como o usamos e seu descarte. É difícil
avaliar a pegada hidrológica de produtos específicos, no entanto, estima-se uma
média global de 80 litros de água por dólar de produto industrializado. Caso o celular custe 200
dólares (R$ 598,00), sua pegada hidrológica custaria em média 16 mil litros de
água.
A
sustentabilidade é um dos grandes desafios da vida contemporânea e sem água não
há vida. Temos acesso às informações, no entanto, navegamos em redes sociais e
nos abstemos deste conhecimento, ficamos inertes, talvez assistindo notícias e
discursando sobre a necessidade de soluções, sem fazer a nossa parte.
O que não se pode
negar é a importância da água para nossa sobrevivência, ela está se tornando cada
vez mais um bem econômico uma
vez que a disponibilidade de água doce no planeta diminui na mesma proporção em
que o seu consumo aumenta. A distribuição dos recursos é
bastante desigual entre países e regiões, o que, combinado ao desperdício de
água, leva a falta desse bem também em locais bem providos de água doce.
A água reconhecidamente é um recurso vulnerável, e já
escasso em quantidade e qualidade. Portanto é importante reiterar a Lei da
Águas, Lei n. 9.433/97
principalmente no que diz respeito à gestão das bacias hidrográficas, a encargo
do Plano Nacional de Recursos Hídricos. Neste sentido é importante destacar o
papel de uma gestão compatível com o desenvolvimento local sustentável. Vale
ressaltar o trabalho realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Ijuí,
uma organização comunitária. A Bacia é dividida em alto, baixo e médio Ijuí.
Panambi faz parte da região do Alto Ijuí. A situação problemática dos rios e
seu abastecimento não é só de outros locais, precisamos ter projetos voltados
ao nosso Rio Fiúza, que hoje segundo avaliações está no nível 1 antes da área
urbana (águas destinadas ao
abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado) e nível 4 (águas destinadas à navegação e à harmonia paisagística) depois da área urbana, o que é muito alarmante
principalmente para saúde pública. Precisamos pensar seriamente em nossas
atitudes consumistas e suas consequências para o ambiente, poluindo nosso rios,
florestas, etc.
Diante dos fatos o tema
deste ano para a Semana de Museus “Museus para uma sociedade sustentável”
destaca a importância da conscientização da comunidade frente aos problemas, é preciso
repensar práticas, rever ações, debater, questionar, mobilizar e, sobretudo,
aperfeiçoar a participação social para a construção de um mundo que reverbere
essas ações.
PEIXOTO
FILHO, Aser
Cortines; BONDAROVSKY, Sandra
Helena. Água, bem econômico e de domínio público
[1]Grande
parte dos minerais usados para a produção de eletrônicos vem das minas no leste
do Congo, onde, das 13 extrações principais, 12 são controladas por grupos
armados. Esses minerais são transformados em metais como estanho (cassiterita)
e tântalo (coltan), que são utilizados na fabricação de telefones celulares. A
renda obtida financia uma guerra civil que, segundo o Conselho de Direitos
Humanos da ONU, matou, nos últimos 15 anos, mais de 5 milhões de pessoas e
violou 300 mil mulheres

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