quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ERRATA - Publicação Comércio de Veículos em Panambi - Parte II

Concessionárias em Panambi – Parte II
Linha Ford

Henry Ford, nascido em jullho de 1863, nos Estados Unidos, fundou a Ford Motor Company, em 1903. Foi o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir automóveis em massa. A criação do modelo Ford T, lançado no dia 8 de outubro de 1908, revolucionou os transportes e a indústria americana.

Em 1913, já fabricava 800 carros por dia e um ano após, estabeleceu o salário mínimo de cinco dólares (US$ 5,00) por dia e jornada diária de oito horas de trabalho, quando, na época, na maioria dos países da Europa, a jornada diária variava entre dez e doze horas. Em 1926, já tinha 88 fábricas e empregava 150 mil pessoas, fabricando, então, 2 milhões de carros por ano.

Embora não se possa precisar a data exata, foi neste período que Leopoldo Hepp iniciou a representação da Agência Ford, comprovada, conforme nota de compra de 1º de abril de 1928, pela Casa de Comércio de Willy Fensterseifer e Cia. A Agência situava-se na Rua Gaspar Martins, na construção que atualmente abriga a Loja Willy Peças e a Casa das Embalagens. A residência do agente era a casa onde hoje se encontra o Hotel Central.

Seu empreendimento abrangia a Agência, a Oficina Mecânica, a Lavagem e a Seção de Peças, uma grande representação para um distrito, na época Neu-Württemberg, atual Panambi. A propaganda, na época, também era a “alma do negócio”, portanto para apresentar a economia do veículo da foto 2, foi realizado um teste, como o já realizado por Ernesto Kepler com um Chevrolet, comprovando sua economia. Considerando que a lata de gasolina continha 13 litros, a média alcançada foi de 18,6 litros por quilometro rodado.
Durante o período da Segunda Guerra Mundial tudo se tornou mais difícil devido à crise econômica e política no mundo. Leopoldo Hepp manteve Agência até 1940, quando a transferiu para a cidade de Ijuí, um centro maior, com maior clientela para a comercialização de veículos e peças. Na época contava com 2 sócios, os genros Bertholdo Christmann e Ladislau Poppe, os quais o acompanharam para cidade vizinha.
Seu Chefe de Oficina, Helmuth Hack e seu irmão Carlos Hack, adquiriram a agência e também alugaram os prédios na Rua Gaspar Martins. Carlos veio de Rincão Frente, onde tinha ferraria, instalando-a ao lado da Oficina Mecânica e Seção de Peças. A guerra interferia no dia a dia dos brasileiros. Dificilmente se conseguia peças para reposição, as quais necessitavam ser recondicionadas. Serviço não faltava na Oficina e Ferraria, o que deu início ao empreendimento dos irmãos Hack. Trabalharam nessa empresa, os senhores Ernst Graser e Ervino Schrammel, ambos iniciaram em 1942.
Em 1944 o senhor Walter Buss Schmitd veio do interior de Santa Maria e se associou a Helmuth e Carlos Hack. Seu Ervino acha que foi neste período que compraram a propriedade de Leopoldo Hack. Neste mesmo ano, algo raro, foi tirada uma foto em frente à Hack & Cia Ltda, pois na época o material era escasso para fotos, sendo utilizado principalmente para casamentos. Na foto aparecem os sócios, os empregados que citamos acima e o ônibus da Empresa Mello e seu proprietário, o Senhor Guilherme Stolz. A estrutura de madeira, era feita pelos irmãos Reinke, enquanto o Sr. Carlos Hack fazia a parte das ferragens. A carroceria era nova, toda pintada. O ônibus era de Santa Bárbara do Sul, lá praticamente não tinha oficina.
Na década de 1950, Hack & Cia Ltda, conseguiu a concessão da Linha Ford para Panambi. Neste período começaram a buscar veículos em São Paulo, pois antes da guerra os carros e caminhões vinham de trem, sendo a cabine construída aqui. Numa destas viagens até São Paulo, por volta de 1958/59, o Sr Helmuth Hack se acidentou no Paraná transportando um caminhão. Na época, os meios de comunicação eram precários e foi difícil a comunicação sobre o acidente. A comunidade panambiense ficou consternada com a perda do comerciante e amigo.
(Continua …)
Colaboraram com este texto os senhores Ernst Graser, Ervino Schrammel e Ivo Beuter.

ERRATA:
O trágico acidente que vitimou o Sr. Helmuth Hack ocorreu no dia 16 de Dezembro de 1965, não como consta no texto por volta de 1958/1959.

Foto 1 - Acervo do MAHP. Nota de Compra Expedida no dia 1º de abril de 1928 pela Agência Ford.



Foto 2 - Acervo do MAHP, foto nº 9.022. Propaganda de economia de combustível de veículo Ford em frente à Agência Ford de Leopoldo Hepp em Neu-Württemberg. Na placa os dizeres “2425 Kilômetros com economizador com 1 lata de gasolina “Standard”, usando Mobiloil A. F. no motor.



Foto 3 - Acervo do MAHP, foto nº 9.024. Placa anunciando “3.360 quilos transportados de Belizário a Neu-Württemberg.”



Foto 4 - Acervo do MAHP, foto nº 8.017. Vista interna da Oficina Mecânica de Leopoldo Hepp – 1926. Nos cartazes está registrado “Entrada Proibida” e “Proibido Fumar”, na Língua Portuguesa e Alemã.



Foto 5 - Acervo Pessoal de Ervino Schrammel. Da esquerda para direita: Ernst Graser, Bruno Heinrich, Lindolfo Mareth, Helmuth Hack, Antenor Fagundes, Carlos Hack, motorista do ônibus, Ferreiro, Ervino Schrammel e Lindolfo Von Müller- Ano de 1944, em frente a Oficina na rua Gaspar Martins.
Conforme Ervino Schrammel: “Durante a Guerra, a gasolina era racionada. Então o Edmundo Rahmeier e a Kepler Weber começaram a fabricar tanques para gasogênio. Como aprendiz, eu tinha que peneirar o carvão para ser colocado no tanque ou pedacinhos de madeira picadas. A queima produzia um gás que passava por filtros, o último era tipo um pano grosso, onde o gás era sugado pelo motor. Havia um ventilador que deixava o fogo acesso. A força do motor era só de 40 a 60% do de gasolina e a Ford dava assistência mecânica. Muitos ainda se lembram do ônibus para Belizário, do Sr. Schnee, na época era de gasogênio. Este foi usado até fins de 1946. Aliás, na época tinha um táxi, chamado de Auto de Praça, propriedade do Sr. Adolfo Wendland.”



Foto 6 - Acervo do MAHP, foto nº 8.051 - Agência Ford de Leopoldo Hepp – Década de 1920/30.



Foto7 - Acervo do MAHP, foto nº 9.039 – Doada por Ernst Graser. O Sr. Graser ainda possui o carro, Ford “Bigode” Modelo T, ano 1923, que comprou de segunda mão do munheiro de Rincão Frente, Sr Edgar Kord. Na foto agaixado está o senhor Graser e, em pé, o frentista Pelé no Posto 300, na década de 1950. O Carro Ford tinha muitas inovações importantes, como o volante no lado esquerdo. O motor e o câmbio eram totalmente fechados. Os 4 cilindros eram fundidos em um bloco sólido e a suspensão usava duas molas semi-elípticas. O carro era muito simples de se dirigir e, o mais importante, sua manutenção era barata. O veículo era tão barato em 1908, custando 825,00 dólares (o preço caía todo ano). Por volta de 1918, metade dos carros na América do Norte eram Modelos T. Por volta da metade da década de 1920, as vendas do Modelo T começaram a declinar devido à concorrência crescente. Por volta de 1926, com o enfraquecimento das vendas do Modelo T, finalmente Edzel, filho de Henry Ford o convenceu a fazer um novo modelo de automóvel, Ford Model A, introduzido em 1927.



O Museu e Arquivo Histórico Professor Hermann Wegermann está resgatando a história das concessionárias de veículos em Panambi. Como encontram-se poucos registros sobre este assunto, estamos realizando entrevistas com pessoas da comunidade.
Quem desejar colaborar com o resgate da história de nossa comunidade é só entrar em contato como o Museu.

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